Boa parte das hemorroidas sintomáticas pode ser tratada sem cirurgia tradicional. Em casos selecionados, a escleroterapia com microespuma controla os sintomas em consultório, sem anestesia geral, sem internação e com retorno imediato às atividades. Mas é preciso entender quando ela funciona, quando não funciona, e por que essa decisão não pode depender só do marketing da técnica.
Recebo no consultório, com frequência, pacientes convencidos de que "qualquer hemorroida termina em cirurgia". A ideia vem de relatos antigos de hemorroidectomia aberta — procedimento ainda válido em casos avançados, mas que carrega fama de pós-operatório doloroso e recuperação lenta. Essa imagem associa, na cabeça do paciente, o tratamento da hemorroida a um evento traumático.
A realidade clínica é mais favorável. Hoje, a maior parte dos pacientes com doença hemorroidária sintomática pode ser tratada sem cirurgia convencional — combinando ajustes de hábito, medicação e, quando necessário, procedimentos ambulatoriais como escleroterapia com microespuma ou ligadura elástica. Isso não significa que toda hemorroida resolve sem cirurgia; significa que vale conhecer todas as opções antes de aceitar a indicação mais agressiva.
Este texto explica, em detalhe, quando a microespuma é uma escolha apropriada, o que esperar dela, e quando outras abordagens são preferíveis.
Hemorroidas são estruturas vasculares normais do canal anal. A doença hemorroidária surge quando esses coxins vasculares se tornam dilatados, prolapsados ou patologicamente congestos. Os sintomas mais frequentes:
Sangramento ao evacuar — sangue vivo no papel, pingando no vaso, recobrindo as fezes.
Sensação de prolapso ("bola que sai") durante ou após a evacuação.
Desconforto anal, prurido, secreção mucosa.
Um ponto importante: hemorroida interna não complicada não dói. Dor anal intensa costuma indicar outra condição — fissura anal (dor em ferroada durante a evacuação), trombose hemorroidária externa (caroço doloroso súbito), abscesso anorretal (dor latejante constante com febre). Confundir essas causas é um erro frequente.
A classificação por graus orienta o tratamento:
Grau I — sangra, não exterioriza.
Grau II — exterioriza ao evacuar, retorna espontaneamente.
Grau III — exterioriza, precisa ser reduzida manualmente.
Grau IV — exteriorizada de forma permanente.
A escleroterapia é uma técnica clássica em medicina vascular — utilizada há quase um século para tratamento de varizes. Aplicada à doença hemorroidária, consiste na injeção de um agente esclerosante (geralmente polidocanol) diretamente no plexo hemorroidário interno, provocando inflamação controlada, fibrose progressiva e retração tecidual.
A microespuma é uma evolução da técnica. O polidocanol líquido é misturado com ar ou gás em proporção controlada, gerando espuma estável que se mantém em contato prolongado com a parede vascular. Comparada à escleroterapia líquida tradicional, a microespuma oferece:
Maior superfície de contato do esclerosante com a parede do vaso.
Possibilidade de tratar áreas maiores com menor volume de medicação.
Resposta mais consistente em hemorroidas com componente sangrante predominante.
Maior previsibilidade do efeito clínico.
O procedimento é feito em consultório, em poucos minutos, sob visão direta (anuscopia), sem anestesia geral nem sedação. O paciente retorna às atividades no mesmo dia.
A microespuma é especialmente útil em alguns perfis bem definidos:
Pacientes com hemorroidas grau I ou II com sangramento como queixa principal — resposta tipicamente excelente.
Pacientes em uso de anticoagulantes que não podem ser suspensos (varfarina, rivaroxabana, apixabana, AAS em dose preventiva associado). Para esses pacientes, a ligadura elástica oferece maior risco de sangramento pós-procedimento; a microespuma é mais segura.
Pacientes idosos ou com comorbidades que tornariam uma anestesia geral arriscada — cardiopatas, pneumopatas graves, pacientes com performance status reduzido.
Gestantes com sintomas hemorroidários incomodativos — embora a indicação deva ser cuidadosamente avaliada, a microespuma evita anestesia geral e oferece controle sintomático.
Pacientes que não toleraram ligadura elástica em sessões prévias.
Pacientes com sintomas leves a moderados que desejam evitar cirurgia, mesmo quando esta seria uma opção razoável.
Como complemento ou manutenção após outros tratamentos, em pacientes com tendência a recidiva sintomática.
Sendo direto sobre os limites:
Hemorroidas grau III volumosas com prolapso significativo — a microespuma pode oferecer alívio parcial, mas não corrige o prolapso. Nestes casos, ligadura elástica, técnicas cirúrgicas com laser (LHP), desarterialização hemorroidária guiada por Doppler ou hemorroidectomia convencional costumam ser melhores escolhas.
Hemorroidas grau IV — exigem tratamento cirúrgico definitivo.
Hemorroidas externas predominantes ou componente externo importante — a técnica atua no plexo interno; pacientes com componente externo significativo precisam de outra abordagem.
Trombose hemorroidária aguda — tem tratamento específico (trombectomia, se nas primeiras 72 horas, ou manejo conservador).
Doença inflamatória intestinal ativa em região perianal — contraindicação relativa, exige avaliação cuidadosa.
Sangramento sem diagnóstico estabelecido — investigação tem que vir antes do tratamento. Tratar como "hemorroida" um sangramento que se revelará câncer colorretal é o tipo de erro que define carreiras.
Para quem ainda nunca passou pela experiência:
Avaliação inicial em consulta — história clínica detalhada, exame proctológico completo (inspeção, toque retal, anuscopia). Em pacientes com fatores de risco para câncer colorretal ou sangramento de características atípicas, colonoscopia é solicitada antes do tratamento.
Decisão compartilhada — apresento as opções (clínica, ligadura, microespuma, cirurgia), discuto resultados esperados, limites e custos de cada uma. A escolha é feita junto com o paciente.
Procedimento em consultório — paciente em posição proctológica, anuscopia, aplicação da microespuma em pontos específicos do plexo hemorroidário sob visão direta. Tempo total: cerca de 10 a 15 minutos.
Pós-imediato — sensação de pressão ou leve desconforto local por algumas horas. Retorno imediato à rotina, sem afastamento.
Acompanhamento — retorno em 2 a 4 semanas para reavaliação. Em alguns casos, uma segunda sessão complementar é necessária.
A resposta é progressiva. O sangramento, quando é o sintoma principal, costuma melhorar nas primeiras 1 a 3 semanas. A redução do volume hemorroidário leva mais tempo — entre 4 e 8 semanas para o efeito máximo.
Resultados realistas que discuto com o paciente antes do procedimento:
Bom controle do sangramento em parcela significativa dos casos selecionados (graus I e II).
Redução do volume e dos sintomas em hemorroidas grau II.
Possibilidade de sessões complementares — uma única aplicação nem sempre resolve.
Recorrência ao longo dos anos é possível, especialmente se os fatores predisponentes (constipação, esforço evacuatório, sedentarismo, dieta pobre em fibras, longos períodos no vaso sanitário com celular) não forem corrigidos.
A microespuma não é "cura definitiva" — nenhuma técnica para hemorroida é, em sentido estrito. É uma ferramenta efetiva para controle de sintomas em casos selecionados, com excelente perfil de segurança e mínima interferência na rotina do paciente.
Ambas são técnicas ambulatoriais para hemorroidas graus I e II (com indicação selecionada em grau III). As diferenças:
Ligadura elástica
Aplica-se um anel de borracha na base da hemorroida, interrompendo o suprimento sanguíneo. O tecido se desprende em 5 a 10 dias.
Mais efetiva em hemorroidas com componente de prolapso.
Pode causar desconforto significativo nas primeiras 24 a 48 horas.
Maior risco de sangramento em pacientes anticoagulados.
Não pode ser feita em pacientes com pólipos sangrantes ou condições que aumentem o risco hemorrágico.
Microespuma
Resposta mais gradual, sem necrose tecidual.
Melhor tolerada no pós-imediato.
Mais segura em pacientes anticoagulados ou com risco cirúrgico elevado.
Efeito menos imediato sobre o prolapso.
Em hemorroidas com sangramento como queixa principal, costuma ter resposta excelente.
Em muitos casos, uso as técnicas de forma complementar — uma ou outra conforme o quadro, e ocasionalmente combino estratégias no seguimento.
Toda intervenção tem riscos. Os da escleroterapia com microespuma são, em geral, pequenos:
Desconforto ou sensação de pressão local nas primeiras horas.
Sangramento autolimitado em pequena quantidade nas primeiras evacuações.
Reação inflamatória local (esperada e parte do mecanismo de ação).
Raramente: reação alérgica ao esclerosante, ulceração local, infecção, ou abscesso.
Necessidade de sessões adicionais se a resposta for insuficiente.
Complicações graves são incomuns, mas existem — e por isso indicação correta, técnica adequada e seleção de pacientes importam.
Procure um coloproctologista se você apresenta:
Sangramento ao evacuar de qualquer característica.
Sensação de "bola" ou prolapso anal durante ou após a evacuação.
Desconforto, ardência ou prurido anal persistente.
Crises hemorroidárias que retornam mesmo com tratamento caseiro.
Mais de 45 anos sem rastreamento de câncer colorretal em dia.
Histórico familiar de câncer colorretal ou pólipos, em qualquer idade.
Sou Matheus Duarte Massahud, coloproctologista — CRM-MG 64.970 / RQE 44.212.
Formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com residência em Cirurgia Geral pelo IPSEMG – Hospital Governador Israel Pinheiro e especialização em Coloproctologia pela Santa Casa de Belo Horizonte, onde atuo como preceptor da residência médica em Coloproctologia.
Realizo cirurgias na Rede Mater Dei de Saúde, no Biocor Instituto e no Hospital Madre Teresa, com foco em técnicas minimamente invasivas — incluindo cirurgia robótica para doenças colorretais complexas, tratamento individualizado da doença hemorroidária e atuação em equipe multidisciplinar para casos de endometriose intestinal profunda.
Agendamento e contato:
WhatsApp: +55 31 98433-3135
Consultório: Rua Gonçalves Dias, 82 — sala 501, Belo Horizonte/MG
Microespuma é considerada cirurgia?
Não. É um procedimento ambulatorial feito em consultório, sem cortes, sem anestesia geral e sem internação. O paciente retorna às atividades no mesmo dia.
A aplicação dói?
Costuma ser bem tolerada. O paciente percebe a manipulação local e uma sensação de pressão durante a aplicação. Dor significativa é incomum; eventual desconforto nas horas seguintes é controlado com analgesia simples.
Quantas sessões posso precisar?
Varia. Muitos pacientes resolvem o quadro com uma única aplicação; outros precisam de 2 a 3 sessões, espaçadas em algumas semanas, conforme a resposta clínica.
Posso voltar ao trabalho no mesmo dia?
Na maioria dos casos, sim.
A microespuma elimina a hemorroida?
O objetivo não é "eliminar" a hemorroida (que, em última instância, é uma estrutura vascular normal), e sim reduzir o componente patologicamente dilatado e controlar os sintomas. O sangramento e o desconforto melhoram significativamente em casos bem indicados.
Hemorroida pode voltar depois do tratamento?
Pode — especialmente se os fatores predisponentes (constipação, esforço evacuatório, sedentarismo, longos períodos no vaso) não forem corrigidos. A microespuma trata a hemorroida atual, não a tendência do paciente a desenvolvê-la.
Microespuma substitui colonoscopia?
Não. Sangramento anal em pacientes acima de 45 anos, ou com fatores de risco, exige investigação por colonoscopia antes de qualquer tratamento local — para descartar pólipos, neoplasias ou outras causas.
Plano de saúde cobre o procedimento?
A cobertura varia conforme o convênio. Vale verificar antes da consulta.
Se você está buscando cirurgia robótica para câncer de intestino em Belo Horizonte, é porque provavelmente já recebeu um diagnóstico, está investigando sintomas ou quer entender qual é o tratamento mais seguro, preciso e moderno disponível.
O Dr. Matheus Duarte Massahud é médico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com residência em Cirurgia Geral pelo IPSEMG – Hospital Governador Israel Pinheiro e especialização em Coloproctologia pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.
Sua prática clínica é voltada para pacientes que buscam:
1) Cirurgia robótica para câncer de intestino:
Procedimento realizado com o auxílio de um sistema robótico controlado pelo cirurgião, que permite:
Comparada à cirurgia aberta tradicional, a abordagem robótica oferece vantagens importantes para o paciente, como menor dor no pós-operatório, menor sangramento durante a cirurgia, recuperação mais rápida, menor impacto estético, entre outras vantagens.
2) Tratamento minimamente invasivo de hemorroidas:
Além da atuação em cirurgia oncológica, o Dr. Matheus Duarte Massahud também realiza tratamentos modernos para hemorroidas, com foco em evitar cirurgia tradicional sempre que possível.
Entre as opções disponíveis:
Essas abordagens são indicadas especialmente para pacientes que desejam tratar o problema com mais conforto e menos impacto na rotina.
3) Cirurgia robótica para endometriose profunda
Outro diferencial importante é a atuação do especialista em cirurgia robótica para endometriose profunda, especialmente em casos que envolvem o intestino.
A técnica robótica permite:
Esse tipo de abordagem é especialmente relevante em casos complexos, que exigem planejamento cirúrgico detalhado.
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