Sentir dor ou cansaço na panturrilha sempre que se caminha determinada distância pode parecer consequência da idade, da coluna ou da falta de condicionamento. Entretanto, quando o desconforto melhora após alguns minutos de repouso e reaparece ao retomar a caminhada, ele pode ser sinal de redução da circulação arterial.
O entupimento das artérias, frequentemente chamado de doença arterial periférica, acontece quando placas de gordura, cálcio e outros componentes se acumulam na parede dos vasos, estreitando ou bloqueando a passagem do sangue. O quadro pode variar desde alterações sem sintomas até isquemia grave, com dor em repouso, feridas, necrose e risco de perda do membro. A doença também está associada a maior risco cardiovascular, incluindo infarto e acidente vascular cerebral. (Circulation Research)
Nem todo entupimento precisa de cirurgia. O tratamento pode começar com controle dos fatores de risco, medicamentos, abandono do tabagismo e programa estruturado de caminhada. A revascularização passa a ser considerada quando os sintomas continuam limitando a rotina ou quando a circulação está ameaçando a cicatrização e a viabilidade do membro. (www.heart.org)
Em Curitiba, o Dr. Marco Lourenço atua na avaliação e no tratamento de doenças arteriais, incluindo obstruções dos membros, doenças das carótidas e aneurismas da aorta. O planejamento individualizado permite comparar as possibilidades clínicas, endovasculares e cirúrgicas para definir a estratégia mais adequada.
Uma artéria entupida apresenta redução importante ou interrupção do fluxo de sangue. Quando isso ocorre nas pernas, músculos, pele e outros tecidos passam a receber menos oxigênio e nutrientes.
A causa mais frequente é a aterosclerose, processo em que placas se acumulam progressivamente dentro das artérias. Diabetes, tabagismo, colesterol elevado, hipertensão, idade avançada e histórico de doença cardiovascular aumentam o risco.
A obstrução pode acometer:
a aorta abdominal;
as artérias ilíacas, na região da pelve;
as artérias femorais, nas coxas;
as artérias poplíteas, atrás dos joelhos;
as artérias da perna e do pé;
as carótidas, que levam sangue ao cérebro;
artérias de órgãos internos.
Nesta matéria, o foco principal é o entupimento das artérias dos membros inferiores, conhecido como doença arterial periférica.
A apresentação mais conhecida é a claudicação intermitente: dor, queimação, peso ou cansaço muscular que aparece ao caminhar e melhora com repouso.
Outros sinais incluem:
redução progressiva da distância que a pessoa consegue caminhar;
dor na panturrilha, coxa ou glúteo durante esforço;
perna ou pé mais frio que o outro;
pulsos fracos nos pés;
mudança na cor da pele;
pele fina ou brilhante;
diminuição dos pelos das pernas;
unhas com crescimento mais lento;
formigamento ou fraqueza;
feridas que demoram a cicatrizar.
Quando a circulação piora muito, pode surgir dor no pé mesmo em repouso, especialmente à noite. Alguns pacientes aliviam temporariamente o desconforto deixando a perna pendente para fora da cama.
Feridas, gangrena, dor em repouso e perda de tecido podem caracterizar isquemia crônica ameaçadora do membro, situação que exige avaliação vascular rápida e planejamento de revascularização quando tecnicamente possível. (JVASCSurg)
Uma obstrução arterial também pode ocorrer de forma súbita, por formação ou deslocamento de um coágulo. Isso é chamado de isquemia aguda do membro.
Procure atendimento emergencial diante de:
dor súbita e intensa na perna ou no braço;
palidez repentina;
membro muito frio;
ausência de pulso;
dormência de início rápido;
fraqueza ou incapacidade de movimentar;
mudança abrupta da coloração.
A isquemia aguda pode colocar o membro em risco em pouco tempo. Nessa situação, não se deve aguardar consulta eletiva.
A avaliação começa com a história clínica e o exame vascular, incluindo análise da pele, temperatura, feridas e pulsos.
Entre os exames que podem ser utilizados estão:
Compara a pressão arterial medida nos tornozelos com a pressão dos braços. É um exame não invasivo usado na investigação da doença arterial periférica.
Avalia o fluxo de sangue, a velocidade dentro das artérias e a localização provável das obstruções.
Produz imagens detalhadas das artérias e ajuda no planejamento de angioplastia, stent ou cirurgia aberta.
Pode ser considerada em determinadas situações, conforme as condições clínicas e a região avaliada.
Utiliza contraste e raios X para visualizar diretamente a circulação. Em alguns casos, diagnóstico e tratamento endovascular podem ser realizados no mesmo procedimento.
O exame necessário depende da intensidade dos sintomas, da função renal, da anatomia e da possibilidade de intervenção.
Não. A presença de uma placa ou obstrução no exame não determina automaticamente uma operação.
Pacientes sem risco imediato para o membro podem ser tratados inicialmente com:
interrupção do tabagismo;
controle do diabetes;
controle da pressão arterial;
tratamento do colesterol;
medicamentos antiplaquetários quando indicados;
atividade física estruturada;
programa supervisionado de caminhada;
alimentação adequada ao risco cardiovascular;
cuidados preventivos com os pés.
As diretrizes de 2024 para doença arterial periférica destacam que o tratamento deve incluir cuidado cardiovascular abrangente, exercício estruturado, controle dos fatores de risco e medicamentos apropriados. A revascularização é utilizada para prevenir a perda do membro na isquemia ameaçadora e pode ser empregada para melhorar função e qualidade de vida quando a claudicação permanece limitante apesar do tratamento clínico. (www.heart.org)
A intervenção pode ser considerada quando existe:
dor ao caminhar que limita trabalho ou atividades diárias;
persistência dos sintomas apesar do tratamento clínico adequado;
dor isquêmica em repouso;
ferida que não cicatriza;
necrose ou gangrena;
infecção associada à circulação insuficiente;
risco de perda do membro;
obstrução arterial aguda;
comprometimento importante da qualidade de vida.
A intensidade do entupimento no exame é importante, mas deve ser interpretada junto com os sintomas, a circulação restante, o estado do pé e as condições gerais do paciente.
As principais formas de revascularização são o tratamento endovascular e a cirurgia aberta.
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Tratamento |
Como funciona |
Quando pode ser considerado |
Limitações e cuidados |
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Angioplastia com balão |
Um cateter com balão é levado até a obstrução para ampliar a passagem |
Obstruções com anatomia favorável |
A artéria pode voltar a estreitar |
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Angioplastia com stent |
Após a dilatação, uma estrutura metálica ajuda a manter o vaso aberto |
Quando há necessidade de sustentação do segmento tratado |
Exige acompanhamento e uso correto das medicações |
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Balão farmacológico |
O balão libera medicamento na parede arterial durante a dilatação |
Em lesões selecionadas |
Indicação depende do vaso e do tipo de lesão |
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Aterectomia |
Dispositivos removem ou modificam parte da placa |
Casos específicos e anatomias selecionadas |
Não é superior para todos os pacientes |
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Crioplastia |
Utiliza balão com resfriamento controlado durante a dilatação |
Técnica aplicável a situações selecionadas |
Uso depende do planejamento e da disponibilidade |
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Bypass ou ponte vascular |
Cria um novo caminho ao redor da obstrução |
Lesões extensas, anatomia desfavorável ao cateter ou ameaça ao membro |
Cirurgia mais invasiva e recuperação geralmente mais longa |
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Endarterectomia |
Abre a artéria e retira a placa diretamente |
Obstruções localizadas em regiões específicas |
Requer acesso cirúrgico ao vaso |
Nenhuma técnica é ideal para todos os pacientes.
Na angioplastia periférica, um cateter é introduzido por uma artéria, geralmente na virilha ou no braço, e conduzido até a área obstruída.
Um balão é inflado para ampliar o canal. Dependendo do resultado e da localização, pode ser implantado um stent para sustentar a artéria aberta. O NHLBI descreve a angioplastia como uma técnica usada para restaurar o fluxo e informa que um stent pode permanecer no vaso após a retirada do balão. (NHLBI, NIH)
Possíveis vantagens em pacientes selecionados incluem:
incisões menores;
recuperação inicial potencialmente mais rápida;
menor agressão cirúrgica;
possibilidade de tratar pacientes com risco elevado para cirurgia aberta.
Entretanto, podem ocorrer:
novo estreitamento;
trombose;
sangramento no acesso;
lesão arterial;
reação ao contraste;
alteração da função renal;
necessidade de novo procedimento.
A crioplastia é uma modalidade de angioplastia em que o balão utiliza resfriamento controlado durante a dilatação da artéria.
O objetivo técnico é ampliar o vaso e modificar a resposta da parede arterial. Sua indicação depende do local, da extensão da lesão, das características da placa, das tecnologias disponíveis e da experiência da equipe.
Ela não deve ser apresentada como substituta universal da angioplastia convencional, do stent ou da cirurgia aberta. A escolha deve ser individualizada.
Segundo o briefing profissional fornecido, o Dr. Marco Lourenço foi pioneiro no Brasil no emprego da crioplastia para desobstrução arterial. Essa informação deve ser documentalmente validada antes da publicação definitiva.
A ponte arterial, ou bypass, cria uma nova rota para o sangue contornar o segmento entupido.
O cirurgião pode utilizar:
uma veia do próprio paciente, frequentemente a veia safena;
um enxerto vascular sintético;
outro tipo de conduto, conforme a região tratada.
Uma extremidade do enxerto é conectada antes da obstrução e a outra depois dela. Assim, o sangue passa por um caminho alternativo.
A cirurgia de bypass pode ser utilizada para tratar dor grave, favorecer a cicatrização de feridas ou preservar um membro quando a angioplastia tem menor probabilidade de oferecer um resultado adequado. (NHLBI, NIH)
Não existe uma resposta única.
A decisão considera:
localização da obstrução;
extensão e número de lesões;
presença de calcificação;
qualidade das artérias abaixo do bloqueio;
disponibilidade de veia adequada;
existência de feridas ou infecção;
risco de perda do membro;
idade e estado clínico;
função renal;
cirurgias e angioplastias anteriores;
expectativa de durabilidade;
risco anestésico;
capacidade de manter acompanhamento.
Em isquemia crônica ameaçadora do membro, as diretrizes recomendam avaliar de forma integrada a gravidade da ferida, o grau de isquemia, a presença de infecção, o padrão anatômico e o risco do paciente. (JVASCSurg)
A angioplastia pode ser preferível em algumas anatomias ou em pacientes de maior risco cirúrgico. O bypass pode apresentar vantagens quando há doença extensa, veia adequada e necessidade de reconstrução com maior durabilidade. A escolha precisa ser personalizada.
sangramento ou hematoma;
lesão da artéria;
formação de coágulo;
embolização;
reação ao contraste;
alteração renal;
reestreitamento;
fechamento do vaso;
necessidade de cirurgia emergencial, raramente.
sangramento;
infecção;
complicações cardíacas;
complicações pulmonares;
trombose da ponte;
lesão de nervos ou vasos;
edema;
dificuldade de cicatrização;
necessidade de nova intervenção;
amputação quando a circulação não pode ser recuperada ou o tecido já está gravemente comprometido.
O risco varia conforme a gravidade da doença, presença de diabetes, tabagismo, condição cardíaca, função renal e urgência da intervenção.
A recuperação depende da técnica.
O paciente pode precisar de:
observação do local de punção;
restrição temporária de esforço;
acompanhamento dos pulsos;
controle da função renal;
uso rigoroso das medicações;
retorno programado;
ultrassom ou outros exames de controle.
Dr. Marco Lourenço é cirurgião vascular em Curitiba, com ampla experiência no tratamento do aneurisma de aorta, doenças das carótidas e entupimento das artérias.
Formado em Medicina pela PUC-PR, possui especialização em Radiologia Vascular Intervencionista e Cirurgia Endovascular pela USP, além de estágios internacionais na Universidade Stanford (EUA) e na Universidade de Ulm (Alemanha). É pioneiro no Paraná no tratamento endovascular do aneurisma de aorta abdominal e pioneiro no Brasil no uso de endoprótese fenestrada para artérias renais e da crioplastia para desobstrução arterial.
Atua de forma individualizada na cirurgia de aneurisma de aorta em Curitiba, cirurgia de estenose de carótida e no tratamento do entupimento das artérias, sempre com base em avaliação especializada.